Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Nação Judaica e os "Justos e Honoráveis" dos holocaustos

 

Yed_Vashem_-_Der_Garten_der_"Gerechten_unter_den_Völkern".jpg (2272×1704)

Jardim dos Justos no Yad Vashem 

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Estórias de Compaixão

que ficaram na História

 

Muitos foram os holocaustos sofridos pela Nação Judaica. 

E muitos foram aqueles que os tentaram evitar e salvar os Judeus.

Não esqueçamos os Valentes da nossa história da Humanidade.

 

No passado dia 27 de Janeiro do corrente ano, lembrou-se, no Dia Internacional do Holocausto, os Judeus assassinados pela Intolerância. É uma data importante que nos lembra uma história trágica que nunca se deverá esquecer. A história da intolerância europeia - cristã - que marca a sua cultura ao longo de muitos séculos (e que alguns têm o mau gosto de designar por Leitkultur). Os Judeus sempre foram perseguidos neste continente. O anti-semitismo sempre foi uma componente marcante da cultura europeia.

 

Não esqueçamos porém as histórias de luz (nur) no meio desta escuridão. Muitos foram também aqueles que lutaram contra este estado das coisas contribuindo com mais alguns milagres para a história Judaica. Muitos foram os Judeus salvos e que encontraram refúgio noutras paragens.

 

É bom lembrar no Dia Internacional do Holocausto aqueles que se foram, aqueles que sofreram às mãos dos seus carrascos, mas não esqueçamos nunca de lembrar aqueles que já não estão entre nós e que arriscaram as suas vidas para socorrer os Judeus perseguidos. Os Honoráveis na História Judaica mencionados no Museu do Yad Vashem em Jerusalém. Seria bom que todos aqueles que contribuíram para mais uns milagres na história do povo judaico fossem lembrados e honrados naquele importante monumento contra o esquecimento.

 

E, assim, e para que não se esqueça, lembro o maior porto de abrigo da nação judaica - O Império Otomano. Lembro os diplomatas turcos que salvaram a vida de várias centenas de Judeus nos tempos da perseguição hitleriana na Europa, permintindo-lhes chegar sãos e salvos a Istambul no Expresso do Oriente.

 

Para mais leiam o meu artigo de fundo sobre O Êxodo dos Judeus Sefarditas para o Império Otomano publicado no jornal Portugal Post em Maio de 2014.

 

Magnificent Century zoomed in.jpg

 by courtesy of Izzet Pinto, Global Agency, Distributor, all rights reserved

 

http://www.portugalpost.de/2014/05/21/o-%C3%AAxodo-portugu%C3%AAs-para-o-imp%C3%A9rio-otomano/

 

E ainda o texto que se segue, publicado no Portugal Post online de Janeiro de 2012

 

"A propósito do Dia Internacional do Holocausto"

 

Num evento organizado pelo Congresso Europeu Judaico, que teve lugar na véspera do Dia Internacional do Holocausto de 2012, na sede da União Europeia em Bruxelas, o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schultz, afirmou que “os alemães de hoje não são os culpados do holocausto, mas são responsáveis por manter viva a sua memória”. Por sua vez, o Presidente do Congresso Europeu Judaico, Moshe Kantor, exortou a Europa “a reconhecer o Mal e a prevenir a sua ressurreição”.

 

Turquia lembra o Holocausto

Por ocasião do Dia Internacional do Holocausto, o Ministro turco dos Negócios Estrangeiros, afirmou que “devemos lembrar e honrar os mais de 6 milhões de judeus e membros das minorias que perderam as suas vidas nesta tragédia humana. Este dia, deve guiar-nos para uma cultura da compreensão mútua, tolerância e co-existência e, neste contexto, é importante aprender a lição e combater o racismo, a xenofobia e o anti-semitismo”. Durante a visita à sinagoga de Neve Shalom, em Istambul, o embaixador Tezgör pediu a monitorização séria da islamofobia e da xenofobia que são - “ameaças crescentes na Europa”. Terminou dizendo que partilha “a dor deste povo escolhido como alvo pela sua identidade.”.

 

A televisão estatal turca TRT transmitiu o filme “Shoa” de Claude Lanzmann no âmbito da campanha que visa promover o entendimento entre Judeus e Muçulmanos no país. O realizador francês afirmou ser “um acontecimento histórico” por ser a primeira vez que uma televisão estatal de um país muçulmano mostra este filme.

 

A Alemanha e os seus “ingénuos”

Recentemente, a revista alemã Stern revelou os resultados de uma sondagem, feita a mil e duzentas pessoas, que revelou que, um em cada cinco jovens alemães não sabe que Auschwitz foi um campo de morte nazi e um terço destes desconhece que Auschwitz é hoje na Polónia.

Estes resultados são preocupantes, sobretudo, sabendo que nas escolas alemãs o Holocausto e a sua literatura integram o programa escolar a partir do 7º ano.

No passado mês de Novembro, a nação alemã reagiu atónita às notícias sobre os terroristas neonazis e a infiltração pouco transparente das suas células pelos defensores da Constituição do País que, apesar dos malabarismo de corda bomba na fronteira da (i)licitude, não conseguiram evitar o assassínio de cidadãos alemães de origem turca.

 

Os judeus na Alemanha

O jornal israelita Haaretz surpreendeu recentemente com o título “Bem-vindo à comunidade judaica que está a crescer mais no mundo: Alemanha”. Segundo Seligmann, o editor do “Jewish Voice from Germany”, 100 000 Judeus estariam registados na comunidade, embora, na realidade, esse número possa já ir no dobro. Segundo o editor daquele jornal, se contarmos todos os judeus que vivem, actualmente, na Alemanha, estaríamos perto dos 250 000 (incluindo judeus alemães, russos, israelitas e americanos) – ou seja, metade do número de judeus que viveram neste país antes da Shoa.

 

Mas quem é Seligmann?

É um judeu israelita que veio para a Alemanha com os pais em 1957. Para ele foi um trauma deixar Israel; mas para os seus pais foi voltar à pátria de que tinham fugido vinte anos antes. Jornalista com artigos publicados no Spiegel, Bild, Die Welt e FAZ, e autor de seis romances, Seligmann foi o primeiro autor judeu a publicar um romance após a Segunda Guerra Mundial. Ele é também o editor da recentemente criada publicação judeo-alemã “The Jewish Voice from Germany”, cuja primeira edição, com uma tiragem de trinta mil exemplares, foi lida por 150 000 leitores na Alemanha, USA, Canadá, Reino Unido e Israel.

 

No editorial da primeira edição, Seligmann diz que o seu sonho “é o renascimento da vida judeo-alemã na Alemanha. Albert Einstein, Thomas Mann, Theodor Mommsen e Max Liebermann simbolizaram um florescimento único das artes, da cultura e da economia na Alemanha do seu tempo.”

 

Apetência pela capital

Em Berlim-Mitte ouve-se muito o hebraico falado por turistas israelitas de visita e pelos seus filhos que vieram passar uns anos nos bairros “in” da capital – Berlim está na moda entre os jovens israelitas. Assiste-se à retoma da vida judaica na capital: as sinagogas e as “yeshivas” são restauradas às suas antigas funções, maestros judeus dirigem orquestras de nomeada internacional na capital, os intelectuais judeus retomam visibilidade, abriu um restaurante israelita na fronteira com Prenzlauerberg e há mesmo uma discoteca israelita cheia de jovens “sabras”. Num artigo do referido jornal conta-se a história de milhares de israelitas em Berlim e numa foto vê-se quatro israelitas embrulhados em bandeiras alemãs e israelitas com o título “aprender a conhecermo-nos”!

 

Segundo declarações recentes do Ministro do Interior alemão, apesar do decréscimo do número de neonazis, regista-se o alastramento das actividades da extrema-direita e o aumento do seu potencial de violência, de que a comunidade judaica também é alvo. Porém, esta comunidade fervilha novamente de criatividade e de optimismo e contribui significativamente não só para a vida cultural da nação como para os cofres da “sexy e pobre” cidade através do turismo oriundo de Israel e da Diáspora.

 

Mas não esqueçamos nunca as circunstâncias históricas e factuais que levaram à tipificação do crime de genocídio após a Segunda Guerra Mundial, e lembremos, não só hoje, mas durante todo o ano, as vítimas e o desvario de um líder e dos seus correligionários que quiseram assassinar uma nação inteira por ser diferente. Na sociedade alemã existem muitos cidadãos diferentes: os muçulmanos, os judeus, os africanos, os asiáticos, inter alia. Infelizmente, nem todos os alemães foram ganhos para a causa do multiculturalismo. Para evitar uma repetição da História, e não só como farsa, há que reunir todos os grupos sociais e religiosos, a sociedade civil e o governo para combaterem, juntos, o fenómeno do “neonazismo” que ameaça o país e que, recentemente, tanto chocou a nação.

 

O Dia Internacional do Holocausto é um dia de reflexão e de aprendizagem com os erros do passado. E deveria ser um incentivo para lutarmos por um futuro mais harmonioso, pelo entendimento entre os povos e as suas culturas, e pela tolerância no mundo."

 

 

Türk_Pasaportu_film.jpg (300×429)

 by courtesy with all rights reserved

 

Cristina Dangerfield-Vogt

Berlim, Janeiro 2012 – publicado no jornal Portugal Post online

 

Um artigo meu publicado no Boletim de Notícias também nesta altura lembra os diplomatas turcos que salvaram muitos Judeus de uma morte certa!

 

"A propósito do Dia Internacional do Holocausto"

 

 “Quem salva uma vida, salva o mundo”

 Esta é uma frase comum ao Talmude e ao Alcorão

 

O filme "Passaporte Turco" do realizador Burak Arliel conta-nos histórias de diplomatas turcos em missão na Europa, que ao conferir a nacionalidade turca a muitos judeus os salvaram de uma morta certa e de ser mais um nome acrescentado à longa lista dos seis milhões de vítimas do holocausto.

 

Doze combóios do Oriente Expresso levaram estes novos "judeus turcos" para Istambul e salvaram-lhes a vida. Entre eles havia judeus europeus sem qualquer ligação à Turquia. Estes diplomatas turcos salvaram a vida a muitos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Posteriormente, em entrevistas com os judeus que assim foram salvos, e com os diplomatas e o seus familiares, ficou patente que quando se quer agir, se pode evitar o mal. 

 

A Turquia e estes seus diplomatas merecem um lugar entre os honrados no museu do holocausto em Jerusalém.

 

E este filme vem retira do esquecimento a história destes corajosos diplomatas turcos, estacionados em vários países europeus, através de entrevistas, dos arquivos e filmes históricos.

 

Turkish Passport” foi exibido pela primeira vez em Cannes, em 18 de Maio 2011, e o filme concorreu ao Festival Europeu de Filme Independente na categoria de Documentário de 2012.

 

Este projecto de seis anos, revela uma história que passou despercebida e que foi esquecida durante sesssenta e seis anos. 

 

O segredo de como cidadãos turcos

salvaram centenas de judeus

do Holocausto

 

 

Righteous among the Nations Honored by Yad Vashem

 

Ulkumen, Selahattin 1989

Até 1 de Janeiro de 2011

 

'No state involvement in film'

 

Beginning of quote "Unbeknownst to many, Turkish diplomats on duty around Europe saved hundreds of Jews during World War II by giving them Turkish passports, enabling them to travel to safety in Turkey. This little known episode is told in an independent documentary entitled "Turkish Passport", being promoted as finally revealing "a secret kept for 66 years".The film recounts memories known mainly to 19 diplomats and the Jews they saved from German Nazi death camps. It is based on testimonies by witnesses and their relatives.

"To remember and never to forget," said Gunes Celikcan, 30, one of the producers, as he talked about why the film was made.  

"There is not much about what the Turks did during that period of history," Celikcan told AFP, as Turkey remained neutral during World War II.  

He said the diplomats saved around 2,000 Jews from the Holocaust but the exact figure is unknown. "We wanted to show this for the very first time and commemorate those diplomats," none of whom survive today, he said. The docudrama directed by Burak Arliel was first shown at the Cannes Film Festival in May. It has since been screened in Istanbul and other Turkish cities and made the rounds of festivals in the US and Europe. And though the buzz is quiet, it's building – and not all is favorable.

 Celikcan said the film has been six years in the making and "has nothing to do with the changing political spectrum".  But not all agree, including former Israeli cultural attaché in Turkey Batya Keinan. "The Turkish press office is using the movie for propaganda," Keinan said. "They are trying to say 'we are good people who protected Jews in the Holocaust and Palestinians now, and yet you shoot at us.' Shame on you." The comments have angered the movie's backers. "This film is not propaganda. ... There is no state involvement," said Asli Sena Genc, a representative for the Istanbul promoters. "This is a historical fact." Celikcan said the Turkish foreign ministry gave the filmmakers access to official archives, but ministry officials told AFP the film was a private initiative and the ministry made no official contribution. The docudrama recounts how the diplomats, including ambassador to Vichy France Saffet Arikan, found a way out for Turkish and foreign Jews, sending them to Istanbul on 12 trains at different points during the war. Behic Erkin, Turkey's ambassador to Paris from 1940-43, and Kudret Erbey, consul-general in the German city of Hamburg from 1940-45, were also involved. "Turkish diplomats did their best to save Jews amid the raging brutality against Jews during World War II," said Naim Guleryuz, a historian and onsultant on the film who heads a Turkish foundation that promotes the history and culture of Turkish Jews. "This part of the story is actually known by historians but we wanted to make it public knowledge through this documentary," he said. Researchers went to the United States, Israel, France and Germany, tracking down survivors or their relatives, some of whose tales are told on the film's official website. In one, Arlette Bules recalls when her father was arrested by the Germans and sent to the internment camp of Drancy, outside Paris."My mother immediately went to the Turkish Embassy and asked for help rescuing my father. Thanks to the letters written by the ambassador, my father was rescued," she said. Celikcan recalls another testimony about a Jewish father who called his two daughters to his deathbed after the war. "He told them 'never forget that it was the Turks who saved us' and then died making a military salute."" end of quote

 

Written in January 2012

 

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publicado por Cristina Dangerfield-Vogt - Jornalista às 10:27
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